Caderno da Renata

Você esta vendo agora:

textos jovens leitores

TEXTO JOVENS LEITORES | Bruxa não bruxa!

Como em uma boa fábula, ela tinha superpoderes. Mas não qualquer um, do tipo superforça ou supervelocidade. Ela recebeu poderes que toda garota sonha: dançar qualquer música; superaudição para ouvir todas as fofocas e comentários; superolhar com supercílios; e o mais interessante, superatitude. Era esse último que a tornava incrível! Todos a notavam, uns pelos perfeitos rodopios na dança, outros pelos discursos assertivos – “parece que ela lê pensamentos! Como ela soube?” -, alguns falavam de sua meiguice e do melífluo olhar. Contudo era unânime: “Uau! Como ela tem presença!”.

Mas, também como em uma fábula, existia a bruxa. No caso, uma grande invejosa. Daquelas que não teria nada contra, se não fosse o fato de não suportar o brilho da outra garota. Não tinha verrugas na cara e nem cabelo de palha, só que certamente possuía o coração amargo de tanta cobiça. Dia a dia, armava diversas situações para fazer sua rival sucumbir. Praticava bulling no colégio, espalhava mentiras, pregava peças para vê-la se esborrachar no chão. Contudo, por mais que tentava, o superpoder da atitude a fazia dar a volta por cima.

Até que um dia, a nossa bruxa-não-bruxa descobriu uma forma de tirar todos os poderes da sua adversária. E conseguiu! “Pronto”, disse a bruxa, “agora vou dar risada!”. Então, preparou a melhor de todas suas estratégias. A garota já não tinha o poder de ouvir seu plano, nem de dançar perfeitamente, muito menos aquele olhar cativante e sua superatitude a tinha abandonado. Pelo menos era o que ela achava.

Na balada que a turma marcou para o sábado, o golpe fatal foi executado. A bruxa-não-bruxa sugeriu para o garoto mais lindo da turma uma dança com a garota. E assim ele fez, apesar de não ver mais graça nela – afinal seu superpoder cativante se foi. Coitada! Dançou toda desengonçada, e logo disfarçou a tristeza de não saber mais os passos. Felizmente, não conseguia mais ouvir os comentários maldosos dos presentes, já que não tinha mais a superaudição.

Apesar dessa catástrofe, algo dentro dela dizia que não podia perder para a bruxa-não-bruxa! Aos poucos, ela foi identificando esse sentimento. E quando menos esperava, veio à tona! Era sua superatitude! Mas como?

Ainda sem compreender, usou-a para transformar o seu balançar desengonçado em uma nova modalidade de dança. Todos adoraram! E ela logo era novamente elogiada.

De longe, viu a bruxa-não-bruxa de queixo caído. Caminhou até ela e disse: “atitude não é algo que se pode tirar. Ela faz parte da pessoa!”.

<< voltar

Fazer um comentário