Caderno da Renata

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TEXTO JOVENS LEITORES | O que eu faço?

Abri a caixa devagar para espiar. De mansinho, a luz foi revelando o interior. E então confirmei! Lá estava! Era real!

No dia anterior, quando arrumava – de uma vez por todas – o meu tenebroso guarda-roupa, eu o achei. Sabe quando você tira tudo e cria uma montanha de coisas reviradas? E o quarto fica IN-TRAN-SI-TÁ-VEL e a porta nem abre? Bem, estava eu lá tentando arrumar tudo quando ouvi um roinc-roind.

– Putz, – pensei – tem até rato aqui! Que nojo! Não é a toa que minha mãe estava dando piti!

Continuei separando o que era roupa suja, traqueira para o lixo e o que iria voltar para dentro do armário. Mas o troço não parava com o barulho. Daí, peguei uma caixa estourada de tênis e parti para a “briga”. Foi então que o lance dramático começou.

Quase não o vi fugindo. Um pouco por causa do susto, um pouco, que ainda estava letárgico pelo desânimo da arrumação. Mas o bicho foi rápido também.

– Eita! Isso não é rato não! – soltei junto a um salto de susto.

Parecia mais um lagarto, mas estava pegajoso. Só que também tinha uns tufos de pelo e antenas. Sem falar que era azul!

– Se eu chamar minha mãe, daí é que ela vai se achar na razão. Afinal ´tá tão bagunçado que até coisa estranha se cria aqui dentro!

Fui à luta decidido a pegar aquilo e dar um fim.  Só que imagina: já estava difícil andar pelo quarto, quanto mais perseguir algo. Não preciso nem dizer que o caos aumentou a cada escapada bem sucedida do bicho, né!? Era livro caindo, almofadas voando, cobertor embolando. E enfim, ZAP!

– Peguei você, coisa esquisita! – gritei aliviado.

– Ei! O que está acontecendo aí! – chamou minha mãe do outro lado da porta – Abre que quero entrar agora!

Só deu tempo de enfiar a caixa embaixo dos travesseiros  e desentulhar o trajeto da porta.

Claro que ela ficou ainda mais furiosa ao ver aquela bagunça e foi metralhando um discurso. Finalizando com:

– Deixe isso tudo para amanhã, pois já é bem tarde! – ordenou ela – Durma no quarto de hóspedes hoje.

Por isso, somente agora estou abrindo a tal caixa. Coitada da coisa! Ficou trancada a noite toda! Será que ficou com fome? Será que come? Nem sei. Não sei inclusive o que faço com isso? Cuido como bicho de estimação? Não, minha mãe me mata! Mando para o zoológico? Não, vai ficar louco com tanta gente olhando. Mando para a NASA? Não, vão maltratar ele com um monte de experiências. O que eu faço afinal?

Continuando o movimento devagar de abrir a caixa, a curiosidade fazia par com o medo. Mal tinha aberto a fresta para confirmar a cor do animal, quando de repente… ZAP! Novamente o bicho saiu correndo, saltou para a cama e de lá pulou pela janela.

– Droga! Já era! – falei olhando para fora já não avistando o fugitivo – Pelo menos não terei que me preocupar com o que fazer com a criatura.

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